História da Somaiê? Afinal, já são 18 anos..

...da Soma à Somaiê

 Desenvolver uma nova prática psicológica que auxiliasse os homens na busca de sua liberdade. Era esse o objetivo de Roberto Freire quando decidiu romper com a psicanálise e criar a SOMA, durante o regime militar no Brasil.

     Baseada nas idéias iniciais de Wilhelm Reich, discípulo dissidente de Freud, a SOMA considera a neurose fruto das organizações sociais autoritárias. Numa sociedade onde a liberdade de ser é impedida através de mecanismos repressores presentes na família tradicional burguesa, na pedagogia escolar autoritária e nas religiões castradoras, a neurose surge como um processo de ajustamento dos indivíduos.

Além de ser um fenômeno social, que se forma de fora para dentro, a neurose se instala em todo o corpo das pessoas, impedindo-as sobretudo de se expressem livremente em sua espontaneidade, afetividade e sexualidade. Assim, a SOMA é uma terapia corporal, utilizando-se de exercícios próprios que, além de agirem sobre a couraça neuromuscular do caráter (tensões crônicas da musculatura voluntária, que retém a neurose no corpo das pessoas), também informam como a repressão atua no cotidiano.

Desde a criação da SOMA, Roberto Freire preocupou-se em formar novos companheiros de pesquisa. Na década de 80 teve uma primeira separação de discípulos formados por ele. Acreditando que para fomentar de uma maneira realmente útil e efetiva a libertação humana em direção a uma outra organização social e política, precisaria estar sempre se renovando e se abrindo a novas descobertas científicas, Freire radicalizou na pesquisa da capoeira como a última peça para compor a base da SOMA, fortalecendo-a e deixando-a pronta (enquanto base) para que as novas gerações de terapeutas continuassem a pesquisa. 

Assim, para completar “sua” SOMA, em 1990 Roberto Freire se separou pela segunda vez de toda uma equipe de somaterapeutas por ele formada. Devido a forma da separação, com mentiras e calúnias por parte dos terapeutas que se acomodaram e desistiram de desenvolver a SOMA radicalmente (veja o capítulo Contra os ladrões da Soma do seu livro de 1995, "Tesudos de todo o mundo, uni-vos!"), Freire começou a formar novos terapeutas dentro de um Coletivo Anarquista, buscando uma ética mais sincera e solidária.

Assim nasceu o Coletivo Anarquista Brancaleone, em Visconde de Mauá, no início de 1991, com Freire, João da Mata como co-terapeuta e Rui Takeguma como assistente. Em meados daquele ano, o Coletivo aglutinou novos assistente e lançou seu primeiro Manifesto. Foram anos de luta para re-implantar a SOMA no Brasil, a partir de então ligada definitivamente à capoeira angola.

Se Freire percebeu o maior potencial da capoeira em relação à outras atividades físicas e ainda, a Angola como a melhor Capoeira para a SOMA, o Brancaleone da década de 90 (com Freire dentro do coletivo) aprofundou e construiu a SOMA praticada naquele momento no Brasil. Assim, a partir de 1993 produziu o espaço Tesão - A Casa da Soma e o Jornal Tesão - prazer & anarquia. A partir 1994 desenvolveu o Curso de Pedagogia Libertária. Em 1995 começou a pesquisa do grupo Iê de capoeira angola libertária de SP

SOMA-IÊ

Em Dezembro de 2000, Rui Takeguma se separou do Coletivo Brancaleone para dar uma continuidade própria à técnica da SOMA. Freire também se retirou do Coletivo na mesma reunião por motivos de saúde. 

O ano de 2001 foi o primeiro ano, dentre os quase 40 de pesquisas somáticas, em que Freire supervisionou duas equipes: Brancaleone e Rui Takeguma (com seus assistentes). Estas foram supervisões de caráter afetivo, terapêutico e de marketing, pois, à medida que os somaterapeutas foram se formando, Freire, impossibilitado de praticar a capoeira, se afastou da pesquisa da angola, confiando assim o desenvolvimento científico da técnica às duas equipes da Soma.

Em Dezembro de 2001 houve nova mudança: para evitar confusões e iniciar um novo caminho, nasceu a SOMA -IÊ.

No período de 2002, houve o desenvolvimento da SOMA-IÊ em São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba (além de apresentações em São Carlos, Salvador e Recife). Nesta fase Rui Takeguma reavaliou o que achava mais importante para a atualização e definição de seu trabalho.

A partir disso, ampliou o conceito de 'tripé básico' da terapia. Além da base consolidada na década de 90, que consistia em fazer as vivências, produzir o grupão e a prática semanal da capoeira, inseriu à técnica dois novos pontos: produção do Capoeirão (trocas em capoeira angola sem a presença do somaterapeuta  - atualmente, produtor de SOMAIÊ - , que acontecem no mínimo uma vez ao mês) e a produção de eventos ou produtos pelo grupo de SOMA-IÊ. Promoveu a renovação de exercícios e a produção de novas vivências dentro da SOMA-IÊ. A pesquisa das vivências na natureza (vivências de campo) se consolidou na realização de 3 por grupo e, preferencialmente, uma em cada local diferente. Há alguns anos, Rui já havia pesquisado Nova Lima e Serra do Cipó, além de várias outras localidades, mas em 2002, Rui implantou a viagem a Ibitipoca em MG, como um roteiro básico nos grupos do Sul/Sudeste.

Rui Takeguma retomou projetos em Pedagogia Libertária: as Oficinas de Criatividade Libertária - continuação do Curso de Pedagogia Libertária ; a publicação do jornal TESÃO, prazer e anarkia; a volta do Prêmio Walter Firmo de fotografia; com o grupo de capoeira em pedagogia libertária a criação da FACA - Federação Anarquista de Capoeira Angola, que em novembro de 2002 gravou seu primeiro CD de músicas de capoeira. E em novembro de 2003 grava o CD duplo e ao vivo do projeto Memória da Capoeira.

Em início de 2003 houve um conflito entre Rui Takeguma e Roberto  Freire, seu filho Paulo, o Buí e o Brancaleone. Rui lançou um manifesto-resposta (Morto Roberto Freire, Viva Roberto Freire) e um site crítico (Http://brancalulaleone.vila.bol.com.br) às fofocas e suposições que rondavam sua saída e de Roberto Freire do Coletivo, bem como às rixas posteriores. Dessa forma, Rui expôs a visão da SOMA-IÊ, oferecendo-se ao diálogo, tanto científico quanto esclarecedor de conflitos pessoais. 

SOMAIÊ

Em Maio de 2003, Rui iniciou o desenvolvimento da SOMAIÊ, uma vivência libertária: produção cultural, e não apenas terapia; produtor de SOMAIÊ, e não somente somaterapeuta. Enfim, uma vertente de e em desenvolvimento da somaterapia que, além de atuar na (anti) psicologia, é uma técnica de permanente atuação na política e na cultura.  LEIA O MANIFESTO DE MAIO DE 2003.

Em 2004, Rui Takeguma fecha o Espaço Cultural Tesão, depois dez anos de atividades. É lançado o CD duplo e ao vivo do projeto Memória da Capoeira em Belo Horizonte. É publicado um manifesto convite em JULHO de 2004. O último manifesto é o de SETEMBRO de 2004. No final de ano, a Somaiê lança o Projeto Custo Mínimo com duração até fevereiro de 2005. Em São Paulo, acontece o primeiro grupo dentro do projeto custo mínimo.

Em 2004, nasce o conceito do Te&So, como uma instância teórica da técnica. Mas que começa efetivamente em Janeiro de 2005, no site de Richard Abreu: Teoria&Somaiê. Atualmente em http://teso.vila.bol.com.br

Em 2005, a Somaiê estabelece uma nova cobrança das taxas. Seja diminuindo ainda mais os valores (em comparação a que Rui Takeguma praticava na Somaterapia de 2001), seja aumentando o número de bolsas por pagantes dentro dos grupos. Veja LINK CUSTOS.

Em 2006 a SOMAIÊ se mantém em São Paulo, faz atividades no Rio de Janeiro no primeiro semestre e em Belo Horizonte no segundo semestre, mas os grupos não se desenvolvem além da primeira ETAPA da terapia.

Em AGOSTO de 2006, a SOMAIÊ absorve a Te&So incorporando de 3 a 4 meses de vivências e encontros de Te&So estruturados na terapia. Em OUTUBRO de 2006, a SOMAIÊ retorna com o Jornal TESÃO, uma forma impressa de divulgação, aliado agora a técnica terapêutica.

MANIFESTO DE 2006 - Carta Aberta a Humberto Maturana

MANIFESTO DE 2007 - Somaiê é Uma Coisa Vagabunda ?!!

O QUE É e COMO FUNCIONA a SOMAIÊ ?

CUSTOS da SOMAIÊ ?

CONTATOS ?

MAPAS dos Grupos em Atividade ?


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