Interessante e importante visão de uma das
personalidades mais marcantes do século XX, muito além
Efusivos abraços
Mirko
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Por Alan Whyte e Peter Daniels
The Einstein File: J. Edgar Hoover's Secret War
Uma campanha de 22 anos de espionagem e calúnias do
FBI contra Albert Einstein é revelada neste livro
recentemente publicado.
Que o FBI espionou proeminentes personalidades,
inclusive artistas, músicos, cientistas e sábios, é
sabido por décadas. O dossiê do FBI sobre Einstein,
talvez o maior cientista do século XX, veio
primeiramente à luz em 1983, quando Robert Alan
Schwartz, professor na Universidade Internacional da
Flórida, escreveu um artigo sobre o assunto para a
revista The Nation.
Até 25 por cento do dossiê de Einstein foram
originalmente eliminados ou retidos pelas autoridades.
O autor Fred Jerome requereu a liberação baseado no
Freedom of Information Act e conseguiu obter a maior
parte do material remanescente. O resultado é o
ricamente detalhado exame de um dossiê de 1800 páginas
compilado numa campanha de décadas contra Einstein.
Este livro bem que vale uma leitura acurada e
completa. Em sua própria pesquisa das atividades de
Einstein, The Einstein File revela para uma mais ampla
audiência o que tinha permanecido pouco conhecido nas
décadas antes da morte de Einstein: o físico detentor
do Prêmio Nobel, cuja Teoria da Relatividade Especial
e Geral transformou o mundo e cujo nome se tornou
sinônimo de gênio científico, esteve profundamente
comprometido na luta contra a guerra, pelos direitos
democráticos e pelas liberdades civis. Ele era
declarado opositor da desigualdade social e defensor
de uma economia socialista planificada.
O dossiê Einstein serve como útil lembrete dos
objetivos da espionagem do FBI. Zelosos e complacentes
liberais muitas vezes comentam os "excessos" da era
McCarthy. Como a campanha contra Einstein demonstra,
estes métodos por longo tempo anteciparam-se à Guerra
Fria e a McCarthy, muito embora alcançassem histérica
intensidade no começo dos anos 1950s.
Muitos anos antes das perseguições aos dirigentes do
Partido Comunista dos Estados Unidos no período da
Guerra Fria e na vigência do Smith Act(*), a mera
expressão de pontos de vista socialistas ou radicais
por uma personalidade eminente era considerada como
fundamento para uma investigação do FBI. As técnicas
empregadas contra Einstein - abertura ilegal de sua
correspondência, monitoração de suas chamadas
telefônicas e compilação de pormenorizado relatório de
seus pontos de vista políticos e de suas atividades
com o objetivo de criminaliza-los, constituíam norma
operacional.
A historia subseqüente tem mostrado também que os
ataques do FBI aos direitos democráticos não pararam
com a derrocada de McCarthy, nem com o desaparecimento
do notório J.Edgar Hoover, que imperou na agência por
quase 50 anos até sua morte em 1972.
A campanha oficial contra Einstein começou antes mesmo
que ele se estabelecesse nos Estados Unidos como
refugiado do regime de Hitler, em 1933. Quando
solicitou um visto de entrada em 1932, para ensinar na
Universidade da Califórnia como tinha feito em várias
ocasiões precedentes, um agrupamento de extrema
direita denominado Woman Patriot Corporation enviou
uma carta de 16 páginas para o Departamento de Estado
argumentando que sua entrada nos Estados Unidos não
devia ser permitida. De acordo com esse grupo, o
conhecido posicionamento de Einstein contra a guerra e
sua visão internacionalista equivaliam a uma "aberta
identificação com o Comunismo e com organizações e
grupos anarco-comunistas..."
O Departamento de Estado ao receber a missiva procedeu
a um interrogatório de Einstein no consulado dos
Estados Unidos em Berlim, acerca de suas opiniões.
Consoante um registro da Associated Press na época: "A
paciência do Professor Einstein esgotou-se. Seu
semblante habitual era cordial e firme, mas sua
normalmente melodiosa voz tornou-se estridente e ele
gritou: "Que é isto, uma inquisição? Uma tentativa de
chicana? Eu não me disponho a responder a tão idiotas
indagações. Não pedi para ir para a América. Seus
compatriotas me convidaram; sim, eles me pediram. Se
for para entrar em seu país como um suspeito, não
quero ir de forma alguma. Se vocês não querem
conceder-me um visto, digam por favor. Então eu
saberei onde ficar."
Horas após de a imprensa ser notificada do incidente,
o Departamento de Estado anunciou que os vistos para
Einstein e sua esposa seriam expedidos no dia
seguinte. Em 10 de dezembro de 1932, ele tomou o navio
para os Estados Unidos, chegando a seu destino em 10
de janeiro de 1933. Em pouco mais de duas semanas,
Adolf Hitler assumia o poder na Alemanha e a estada
dos Einsteins na América tornou-se permanente.
O rápido recuo oficial não significou o fim da
vigilância e da importunação, todavia, mas apenas o
começo. O ataque da Woman Patriot Corporation
transformou-se no início do dossiê de Einstein. Nos
anos 1930s, o FBI juntou-lhe achegas de tempos em
tempos, na maior parte recortes e relatos, anotando
coisas tais como o apoio de Einstein ao governo legal
da Espanha durante a Guerra Civil contra os fascistas
de Franco. Durante esse período, Einstein tentou, com
sucesso limitado, conseguir vistos de entrada nos
Estados Unidos para colegas refugiados do regime
nazista.
Projeto Manhattan
A maior parte seguinte do dossiê trata do
empreendimento que seria chamado de Projeto Manhattan,
a corrida para o desenvolvimento de uma arma nuclear
antes dos nazistas. Einstein, posto que toda uma vida
pacifista, escreveu ao então presidente Rossevelt
sugerindo-lhe trabalhar para a consecução de tal arma
antes que o regime hitlerista a obtivesse. Quando o
nome de Einstein foi sugerido para assistir nos
trabalhos, o serviço de inteligência militar solicitou
parecer do FBI.
O dossiê de Einstein no FBI não era ainda muito
substancial, mas J. Edgar Hoover forneceu uma carta de
informação e um "Esboço Biográfico" completo com
mentiras e meias-verdades, inclusive informes de que
Einstein "tem patrocinado as principais causas
comunistas nos Estados Unidos" e que, "em Berlim,
mesmo em épocas de liberdade e períodos tranqüilos, de
1923 a 1929, o lar de Einstein era conhecido como um
centro comunista e agência de de informações.
Concluiu o FBI: 'Em vista de seus antecedentes, esta
organização não recomendaria o emprego do Dr. Einstein
em assuntos de natureza secreta, sem uma investigação
muito cuidadosa, pois parece improvável que um homem
de seu passado, em tão breve tempo, pudesse tornar-se
leal cidadão americano."
Após a II Guerra Mundial e com o início da Guerra
Fria, a vigilância de Einstein intensificou-se. O FBI
observou a fervorosa oposição de Einstein ao
lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima e
Nagasaki. Em maio de 1946, Einstein concordou em
liderar o recém-formado Comitê de Cientistas Atômicos,
que realizava campanha contra o desenvolvimento de
armas nucleares.
De acordo com o dossiê do FBI: "Dirigente e principal
porta-voz da ECAS, era o professor Albert Einstein,
que no passado tinha sido usado por várias
organizações de caráter comunista, na qualidade de
'grande nome' e 'inocente útil'.
Einstein esteve crescentemente em desacordo com as
políticas oficiais durante a Guerra Fria. Defendeu os
dirigentes comunistas quando foram indiciados por
força do Smith Act, em 1948. Posicionou-se em defesa
de Julius e Ethel Rosenberg, acusados de espionagem em
prol dos soviéticos e executados em junho de 1953.
Quando Einstein enviou carta pessoal apelando por
clemência ao juiz federal Irving R. Kaufman, que tinha
condenado os Rosenbergs a morrerem na cadeira
elétrica, Kaufman prontamente mandou a missiva para J.
Edgar Hoover, que a juntou ao dossiê de Einstein.
A campanha contra Einstein alcançou seu clímax entre
1950 e 1954. Jerome registra que os esforços de Hoover
para difamar o cientista e subverter sua popularidade,
foram aparentemente desencadeados pelo aparecimento de
Einstein na premiére de um espetáculo semanal de
televisão patrocinado pela senhora Eleanor Roosevelt.
A data era 12 de fevereiro de 1950. Duas semanas
antes, o presidente Truman anunciara um programa de
impacto para construção da bomba de hidrogênio.
Einstein declarou sua oposição na televisão nacional.
O Washington Post relatou em manchete na manhã
seguinte: "Einstein Receia que a Bomba de Hidrogênio
Poderá Aniquilar Qualquer Forma de Vida."
No mesmíssimo dia, Hoover ordenou a seu chefe de
inteligência interna que preparasse um relatório
completo sobre Einstein, documento este que fosse
pressurosamente montado e entregue dois dias mais
tarde.
A histérica política de caça às bruxas contra espiões
soviéticos devia caminhar a todo vapor. Apenas uma
semana antes, Joseph McCarthy, num de seus mais
famosos discursos, tinha afirmado numa audiência em
Wheeling, West Virgínia, "Eu tenho aqui em minha mão
uma lista de 205 que eram conhecidos do secretario de
estado como membros do Partido Comunista e que, não
obstante, estão ainda trabalhando e elaborando a
política do Departamento de Estado". Na mesma semana,
Klaus Fuchs foi preso em Londres e confessou espionar
para a URSS. Nos meses seguintes, ocorreram prisões de
outros, dentre os quais os mais proeminentes eram os
Rosenbergs.
Até onde o FBI estava interessado, a oposição de
Einstein à campanha contra a União Soviética era uma
expressão de deslealdade, na mesma proporção em que se
prestava ajuda e satisfação ao inimigo. Alguma
evidência tinha de ser encontrada, ligando-o à
espionagem.
Nenhuma insinuação era demasiado bizarra na vingança
dos quatro anos. O FBI entrevistou indivíduos que logo
se descobriu terem sido pacientes mentais fazia pouco
tempo, os quais fizeram estranhas alegações. Uma fonte
confidenciou que Einstein inventara um robô elétrico
que podia controlar a mente humana. Tempo e esforços
apreciáveis foram gastos em busca de evidências na
sustentação da fantasiosa estória de que um dos filhos
de Einstein era mantido como refém na URSS,
supostamente motivo adicional para que ele estivesse
ajudando Moscou. Informações provenientes de fontes
pró-nazistas eram convenientemente incorporadas ao
dossiê de Einstein.
Enquanto o FBI prosseguia em suas avaliações, o
Serviço de Imigração e Naturalização (INS**) realizava
investigação paralela visando a retirar seu status de
naturalização de cidadão americano para deportá-lo. Um
memorando do INS para J. Edgar Hoover, de 08 de março
de 1950, poucas semanas após Hoover empreender seus
próprios esforços, pediu ao FBI para fornecer
"qualquer informação depreciativa contida em qualquer
arquivo" sobre Einstein. Em aditamento, o INS afirmou
"....este naturalizado, não obstante sua reputação
mundial como cientista, deve ser adequadamente
investigado para possível cancelamento de sua
naturalização." Seguiu-se um processo investigatório
de cinco anos de duração.
Einstein não foi simplesmente uma vítima passiva da
campanha difamatória. Mesmo que tivesse sido conduzida
no mais rigoroso sigilo, exatamente porque as
autoridades temiam o efeito desastroso se viesse a
público, Einstein estava bem consciente e bem alerta
de que estava sob constante vigilância. Por ocasião de
um jantar em 1948, ele afirmou ao embaixador polonês
nos Estados Unidos, "Eu suponho que você deva
compreender neste momento que os Estados Unidos já não
constituem uma nação livre, que indubitavelmente nossa
conversação está sendo gravada. O salão está sob
escuta, e minha residência, cerradamente vigiada." A
presença desta conversação de Einstein em seu dossiê
confirma a procedência do aviso.
Princípios democráticos
A despeito de uma doença séria e de sua avançada
idade, Einstein declarava-se em defesa dos princípios
democráticos até o dia em que faleceu. Não é exagero
dizer que em muitas oportunidades ele preencheu o
vácuo criado pelo silêncio de tantos outros eminentes
intelectuais. Um dos melhores exemplos foi a carta que
escreveu a William Frauenglass, professor da Brooklin
em maio de 1953. Frauenglass fora intimado para depor
pelo Sub-Comitê do Senado para Segurança Interna, um
dos comitês do congresso de importunação política
então ativo.
Em resposta ao pedido de informação e apoio de
Frauenglass, Einstein, então com 74 anos de idade,
enviou-lhe uma carta sobre cujo envio também ao New
York Times ambos concordaram, onde foi publicada em 12
de junho. Apareceu como parte de uma matéria de
primeira página, com a manchete "'Recusa para Depor',
é o conselho de Einstein aos Intelectuais Convocados
pelo Congresso." Os editores do Times intitularam este
chamado de desafio "ilegal", "anormal" e "insensato".
A imagem popular de Einstein, cultivada pela mídia e
de um modo geral aceita por seus vários biógrafos, é a
de um cientista de certa forma brilhante e distraído,
homem muito versado nos domínios da física teórica mas
não atento ao mundo cotidiano. Tornou-se um ícone e
colocou-se num pedestal que permite fiquem seus pontos
de vista políticos preservados e bem escondidos.
Quando a revista Time o elegeu como "Personalidade do
Século" há vários anos, omitiu qualquer referência a
todas menções de sua visão socialista.
Sua imagem popular é falsa. Einstein embebeu-se na
cultura alemã e européia. Nascido em 1879, cresceu num
país que foi o berço do movimento de massas dos
trabalhadores socialistas fundado por Marx e Engels e,
posto que não abraçasse integralmente o marxismo, foi
profundamente influenciado por este. A partir de sua
adolescência, Einstein manifestou-se pelo
internacionalismo e pelo humanismo que caracterizariam
toda sua vida.
Em 1895 ele deixou a Alemanha para estudar e trabalhar
na Suíça, onde executou seu primeiro celebre trabalho
sobre a Relatividade. Retornou para a Alemanha em
1914, apenas alguns meses antes do começo da I Guerra
Mundial. Numa época em que a Social Democracia alemã e
a esmagadora maioria da inteligentsia sucumbia ao
chauvinismo, Einstein foi um dentre poucos
intelectuais que se opuseram à guerra, embora
assumindo um posicionamento pacifista e não marxista.
Einstein foi toda uma vida oponente da ignorância e do
obscurantismo, e especialmente de todas as formas de
chauvinismo e de racismo. Durante os anos 1930s, na
qualidade de imigrante recém-chegado para os Estados
Unidos, declarou-se em defesa dos Scottsboro Boys, as
nove vítimas da maquinação racista no Alabama. Em
1946, quando o fim da guerra foi seguido de uma orgia
de atrocidades racistas, inclusive linchamentos, ele
se uniu a Paul Robeson para formarem a Cruzada
Americana Contra o Linchamento, patrocinadora de um
protesto em Washington.
Posto que por muito tempo sionista, Einstein também
afirmou, em 1938, que ele "gostaria muito mais ver um
acordo razoável com os árabes, fundamentado num
convívio pacífico, que a criação de um estado
judaico."
A defesa do Partido Comunista por Einstein não
implicava em apoio de sua parte ao stalinismo. Foi
crítico dos ataques stalinistas aos direitos
democráticos, mas se opôs à calúnia de que o Partido
Comunista Americano era simplesmente instrumento de
Moscou e que seus membros não tinham direito de livre
expressão e associação. A posição de Einstein é digna
de nota hoje em dia após o colapso do stalinismo,
enquanto toda uma escola de apologistas do capital
procura utilizar os crimes de Moscou em prol da
negação do significado histórico da luta pelo
socialismo nos Estados Unidos como também
internacionalmente.
Porquanto não haja indicação de que Einstein se
preocupou com assuntos históricos surgidos com a
degenerescência da Revolução Russa e a luta de Trotsky
contra o stalinismo, ele próprio se considerava um
socialista. Isto é evidenciado num artigo que escreveu
em 1949 para a recém-criada revista Monthly Review.
Vale a pena citar o artigo intitulado "Por que o
Socialismo?", com alguns pormenores:
"A anarquia econômica da sociedade capitalista tal
qual existe hoje é, em minha opinião, a real fonte do
mal....
"Chamarei de 'trabalhadores` todos aqueles que não
compartilhem da posse dos meios de produção... Na
medida em que o contrato de trabalho é 'livre`, o que
o trabalhador recebe é determinado não pelo real valor
dos bens que produz, mas pelo mínimo de que necessita
e pela busca dos capitalistas da força de trabalho em
relação ao número de operários competindo por
empregos.
".. sob as condições existentes, capitalistas privados
inevitavelmente controlam, direta ou indiretamente, as
principais fontes de informação (imprensa, rádio,
educação). É assim extremamente difícil e, na verdade
na maior parte dos casos, realmente impossível para o
cidadão chegar a conclusões objetivas e fazer uso
inteligente de seus direitos políticos.
"A produção obedece à lei do lucro, e não se destina
ao uso. Não tem a preocupação de que todos aqueles
capazes e dispostos a trabalhar sempre tenham
condições de encontrar emprego; um exército de
desempregados quase sempre existe...
"A invalidação do individuo, eu a considero o pior dos
males do capitalismo... Inculca-se no estudante uma
atitude competitiva exagerada, instruindo-o a adorar o
êxito aquisitivo...
"Estou convencido de que há apenas um (itálico no
original) meio de eliminar estes graves males, ou
seja, através do estabelecimento de uma economia
socialista, acompanhada de um sistema educacional
voltado para metas sociais. Em tal economia, os meios
de produção são possuídos pela própria sociedade e
utilizados de forma planificada. Uma economia
planificada, que ajusta a produção às necessidades
comunitárias, distribuiria o trabalho a realizar entre
todos aqueles capazes de trabalhar e garantiria a
subsistência a todo ser humano. A educação do
indivíduo, além de promover suas próprias habilidades
inatas, empenhar-se-ia em nele desenvolver senso de
responsabilidade por seus semelhantes em lugar da
glorificação do poder e do sucesso de nossa presente
sociedade."
Por volta de 1954, a campanha do FBI contra Einstein
tinha perdido sua força. Ventos indicativos de mudança
política, inclusive a censura senatorial a McCarthy,
contribuíram para um clima em que as inquirições
começaram a perder fôlego. Não foram encerradas,
contudo, até vários dias após a morte de Einstein em
18 de abril de 1955, aos 76 anos de idade.
O ataque a Einstein foi somente uma de muitas
investigações similares. Não constitui exagero afirmar
que o FBI reuniu informações sobre a maioria dos mais
importantes intelectuais americanos, num aspecto ou
noutro, no decorrer desse período.
Isto é um reflexo do atraso da elite dirigente
americana, seu apoio a preconceitos antiintelectuais,
seu temor do impacto de idéias políticas e de
políticas educacionais que influam nas vastas massas
populacionais americanas. A proeminência, a
popularidade e a percepção política de Einstein
fizeram-no parecer ainda mais uma ameaça às
autoridades na medida em que estas procuravam sufocar
a oposição a suas políticas da Guerra Fria.
Os eventos do ano passado demonstram a oportunidade
desta exposição das operações do FBI e de outros
órgãos de inteligência. A história tem demonstrado os
limites restritos da democracia burguesa, a estrutura
política através da qual o capitalismo americano tem
dominado tradicionalmente. Não é a mesma coisa que os
direitos democráticos que têm sido conquistados
através da luta e que devem ser continuamente
defendidos.
É precisamente quando a elite dirigente se sente
ameaçada por crises econômicas e políticas que ela
demonstra os limites de sua "democracia." Das
incursões de Palmer Raids contra trabalhadores
imigrantes e militantes de esquerda em 1920, à prisão
e indiciamento de líderes do Partido Trotskista
Socialista dos Trabalhadores em 1941, à caça às bruxas
de McCarthy, ao presente arrastão contra os imigrantes
do Oriente Médio e à criação do Departamento de
Segurança Interna, o governo tem recorrido a seu
espectro de ameaças externas para aplicar restrições à
oposição interna.
N. do trad. (*) Aprovada pelo Congresso dos Estados
Unidos em 28 de junho de 1940. É notável a semelhança
de seu conteúdo com o de legislações repressivas
brasileiras adotadas no século passado; (**)
abreviação americana de Immigration and Naturalization
Service.
Fonte:
recebido por e-mail