CULT – Você afirma que todas as autobiografias são pretensiosas e mentirosas. Acredita que a sua (Eu é um outro) conseguiu romper com essa tendência?

Roberto Freire – Olha, sempre fui radical e muito sincero. Mas como acho que esta é a minha última entrevista, vou ser mais radical e mais sincero: fui levado à tentação da mentira. A minha vontade de contar os fatos que aconteceram, tranqüilamente recheados de aventuras, era ficção. Passei por essa tentação e isso me deixou mais horrorizado. Quando escrevi três fases da minha vida e vi que as três não estavam reais (eram sinceras, mas estavam ampliadas e modificadas na realidade), fiquei horrorizado e parei. Depois que descobri um jeito de escrever, de falar sobre a minha vida no trabalho por meio das pessoas com as quais eu convivi, daí eu me policiei completamente. Por isso acredito que as autobiografias são pretensiosas e mentirosas, porque mesmo você querendo não mentir, não se envaidecer, não aumentar o real, é impossível. Duvido de que alguém fale de si mesmo sem demonstrar uma humildade excessiva, ou uma pretensão para se valorizar de algum jeito.

CULT – A sua obra presenciou uma época em que se acreditava nas mudanças políticas por meio da ação educativa e cultural, que fomentariam as consciências. Atualmente, apesar das sucessivas crises do capitalismo, ocorre o agigantamento da chamada indústria de massa. O método cultural vive o seu pior impasse?

R. F. – O fato cria a idéia. A cultura é formada por ações humanas e não por reflexões humanas. Você reflete sobre o que já aconteceu, ou o que espera que aconteça. No passado, fomos praticamente levados a pensar no social por meio de uma teoria que Marx descobriu. Havia uma carência muito grande em cima disso e uma necessidade de combater a exploração do trabalho. Quem se interessava pelo social e pela política via em Marx a grande proposta de transformação. Eu me lembro de que a juventude, se não conhecia Marx diretamente (pela leitura de O capital e de outros livros), era movida por professores ou por idéias gerais que colocavam os conceitos revolucionários como um padrão de melhora e de renovação. Então, era muito fácil você levantar a juventude, por exemplo, por meio das teorias marxistas e da discussão dos problemas que Marx discutia.

Eu trabalhava praticamente só com estudantes. Era impressionante como eles tinham uma certa intuição da necessidade de transformação. O mundo estava passando por um período de transição no campo da psicologia familiar e social também. Sempre as idéias marxistas iam à frente e faziam com que a cultura, a arte e a ciência estivessem mais avançadas no campo socialista. O interessante daquela época é que, por exemplo, os grandes arquitetos e escritores eram marxistas: Niemeyer e Jorge Amado, respectivamente. A crítica que eu e a maior parte dos anarquistas defendíamos é que não se faz uma revolução social por meio do burguês, porque Marx propôs que a vanguarda revolucionária, culturalmente falando, fosse da burguesia, que tomava o poder, depois estabelecia a ditadura do proletariado e oferecia o comunismo aos proletários. Isso, para os pensadores anarquistas, era um absurdo! Nós só podíamos acreditar em uma transformação socialista se fosse feita pelo povo.

CULT – Após trabalhar tantos anos com os jovens (terapias, iniciativas culturais e ativismo político), quais as principais diferenças que você observa nos hábitos da juventude que você conheceu e a de hoje?

R. F. – Eu praticamente trabalhei só com a juventude de classe média desde os anos 1960. A diferença básica é que o jovem hoje quer se divertir, e para se divertir ele acha que precisa de dinheiro. E para existir dinheiro é preciso o capitalismo. Então eu sinto que eles não têm interesse mais, nem falam em revolução social. Eles aceitaram esse pseudo-social do capitalismo como o bastante. Os jovens de classe média vão buscar a sua profissão, se preocupam com a situação social do Brasil e de outros países, mas não militam. São poucos os militantes políticos. Espera-se que, se a economia atingir um determinado nível, a classe média vai ficar bem. E a classe média ficando bem, eles acham que o país está bem. Mas ninguém está preocupado com o operariado. Só os camponeses. Os próprios operários estão preocupados em subir de operário a mestre, de mestre a capataz. Para chegar de capataz a um estudante universitário. Tudo dentro do mesmo regime. Eu fico horrorizado quando os partidos e sindicatos resolvem fazer grandes encontros no Pacaembu, por exemplo. Eles lotam o estádio, mas o que há de diferente? Por que vai tanta gente? A primeira vez eu fui e fiquei escandalizado: convocam, para uma reunião sobre problemas políticos, shows de cantores, sorteio de carros, geladeiras e casas! Ou seja, colocam no coração do próprio proletário a visão capitalista: solução dos problemas econômicos.

CULT – Há viabilidade para projetos de autogestão no Brasil?

R. F. – Sim. É uma idéia econômica de produção. Eu conversei muito com os anarquistas espanhóis, que participaram da Guerra Civil da Espanha. Eles me contaram como era. Autogestão é uma forma de organização para o trabalho sem patrão, em que o capital e a administração são do próprio trabalhador. O capital necessário tem de ser do trabalhador. A hierarquia era baseada na alternância: ninguém podia ser o capataz sempre. Se você mostrava mais capacidade para esse tipo de ação, era tornado capataz naquele campo. As lideranças eram espontâneas e descartáveis. Todo mundo pode ser líder de alguma coisa. Só que às vezes não se apresentam oportunidades para exercer a liderança que se tem naturalmente. Numa fábrica, por exemplo, organizava-se o funcionamento pelos turnos, em que todo mundo praticava tudo. Aí, iam sendo selecionados os mais aptos para estas ou aquelas funções, e se verificava que a liderança tinha de ser alternada, porque cria o vício da liderança. É uma coisa que também se descobriu naquela época. Se você fica muito tempo liderando numa área, passa a ter a idéia de que não é capaz de fazer as outras funções bem. Então, eram períodos de até três meses com as mesmas lideranças. O lucro era distribuído pelos trabalhadores por eles mesmos.

CULT – Você consegue citar um exemplo concretizado de autogestão na área cultural que obteve êxito?

R. F. – A organização eu fiz no teatro. Foi fantástico. A PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) me convidou para criar um grupo teatral no Tuca (Teatro da Universidade Católica) em 1965. Fui e disse que aceitaria se eu pudesse aplicar a minha metodologia anarquista. Perguntaram como que era, e expliquei. E fiz o seguinte: convidei um diretor de teatro (Silnei Siqueira), um cenógrafo (José Armando Ferrara) e um músico. Eu seria o diretor geral. Escolhemos a peça (Morte e vida severina) com opiniões de todo mundo, depois apresentamos para os estudantes. Eles leram e aprovaram. Montamos a peça e começamos a distribuir funções. O diretor não era exclusivamente o diretor, todos davam palpites na direção. Ele tinha de coordenar as sugestões. A cenografia partiu do princípio de que era uma peça passada no Nordeste, na caatinga. Daí veio um cara, falei: "Vamos ver essa música". E me deram um nome que já conhecia, um tal carioca, Chico Buarque. Ele mandou umas fitas com a música tão precisa, tão maravilhosa... Eram seis músicas. O pessoal ouviu e não quis mais saber de outras. Eu ia convidar o Tom Jobim. Mas foi só a música que não teve palpite de todos, porque a dele (Chico Buarque) foi ótima.

tirado do site abaixo, em 2 de junho de 2005:  http://revistacult.uol.com.br/materias.asp?id=17


Como nem todos querem ou podem pagar R$ 7,90 pela revista Cult, ainda mais pessoas como eu que não são leitores e se interessariam somente pela matéria sobre Freire. A SOMAIÊ digitalizou o que a Cult não disponibiliza na internet, isto é, todo o restante da matéria (além da entrevista acima).

Assim, nessa atualização de 27 de junho de 2005, acrescento 10 imagens, sendo 9 do texto de Maurício Reimberg e um box sobre W. Reich.

Como no site da Cult, foi colocado um Fórum Virtual, chupei também os depoimentos dos somaterapeutas formados por Freire: EU, João e Goia.

(Eu, João e Goia moramos juntos por anos no Tesão a Casa da Soma em SP na década de 1990. Fomos os principais pesquisadores da capoeira angola na SOMA, desde final de 2000 nos separamos e hoje temos caminhos diferentes, eles com a SOMA e eu, com uma evolução desta, a SOMAIÊ.)

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Roberto Freire é genial, mas de uma genialidade crítica, assim, provavelmente suas idéias terão mais aceitação depois que ele se for... Apesar de não ser mais amigo do velho "bigode", continuo fã de sua obra na literatura e principalmente na SOMA. Mas antes de 2001, antes dele "morrer" cientificamente pra mim e pra SOMAIÊ... (www.soma.pagina.de) Corrigindo a MARIA*, Freire foi sim psicanalista, mas exerceu por pouco tempo, depois abandonou a área retornando com a criação da Somaterapia...

Rui Takeguma
somaterapia@gmail.com

  10/06/2005 18:28


Enquanto alguns parecem preferir Roberto Freire morto ou aposentado, eu prefiro celebrar a vida e as idéias deste mais que amigo anarquista: aquele que me provoca, me instiga, com seu tesão de viver! Escrevo emocionado, escutando o CD que ele acabou de gravar com belas melodias e poesia cortante, ainda naquele mesmo tom indignado e apaixonante dos seus livros. É isto que me inspira a seguir divulgando a Soma, uma terapia anarquista, tal como aprendi e vivo junto com Roberto Freire e o Coletivo Brancaleone. Há alguns dias fiz uma apresentação sobre a Soma na Mostra do Livro Anarquista de Barcelona. Fora do Brasil, o anarquismo somático de Roberto Freire tem encontrado seu espaço e está sendo reconhecido como uma contribuição importante para o movimento libertário e anti-globalização. Então, viva Roberto Freire, pois como diz o historiador e anarquista Sérgio Norte, “a Soma, com a utilização da capoeira angola, é a expressão mais brasileira dos anarquismos...”

Jorge Goia
jorge.goia@somaterapia.com.br

15/06/2005 11:17


A presença do Roberto Freire certamente se estenderá para além das fronteras da dita "cultura brasileira" e do tempo presente. Pensadores e ativistas libertários como o Roberto antecipam o futuro, trazendo o depois para perto. Longe de qualquer mitificação, mas buscando lançar mão de sua influência para a Psicologia e para o anarquismo contemporâneo, Freire já tem seu espaço ocupado. Nós, do Coletivo Anarquista Brancaleone que estamos prosseguindo suas pesquisas no desenvolvimento e na difusão da Soma no Brasil e na Europa, sentimos cada vez mais o desafio de empreender este projeto libertário de singular valor. Nas pesquisas acadênmicas em filosofia e psicologia, nos grupos de terapia e cursos de pedagogia libertária que temos realizado, se colocam diante de nós as possibilidades de seguir adiante. Esse tarablho pode ser acompanhado pelo site da Soma: www.somaterapia.com.br

João da Mata
joaodamata@somaterapia.com.br

16/06/2005 16:21

* No Fórum, a Maria que cito, colocou que Freire não foi psicanalista...

Observações:

1 - Na parte 7 acima, é que Sou citado na matéria, extraído da entrevista abaixo e onde Freire PELA 1ª VEZ me critica (finalmente...)

2 - Já perdi muito tempo criticando a postura congelada e oficial da SOMA de Freire e do Brancaleone, essa página é mais pra disponibilizar informações sobre a BASE da SOMAIÊ e seu contexto atual, pretendo responder essas colocações críticas com as PRODUÇÕES da SOMAIÊ.


Agora, acrescento a entrevista que dei ao repórter por e-mail e divulguei nos grupos de discussão da SOMAIÊ:

  

Rui, boa tarde.

 Por favor, esse texto será adicionado ao Perfil Roberto Freire, que será publicado na próxima edição da Revista Cult. Gostaríamos que você, como participante e crítico da terapia Soma, respondesse essas perguntas aos leitores da Revista.

  

Em que ano nasceu a Soma? 

 Freire considera o ano de 1972 como o início da Soma, logicamente que os estudos iniciais vem de muito antes, mas somente nessa época nasceu o nome Somaterapia.

 Descreva, por favor, como era o Roberto Freire no dia-a-dia dos trabalhos, bem como seus métodos de relacionamento com os clientes e demais componentes da Soma.

 Freire sempre foi carismático, com uma capacidade gigantesca de viver e expor sua afetividade. Vivia o que a teoria da Soma propunha como idealização: tesão no cotidiano (trabalho e relacionamentos). Desde que o conheci pessoalmente (1990) ele já tinha o desejo de se aposentar da prática da Soma; primeiro não o fez para criar uma geração de terapeutas que incorporassem a capoeira angola como um fundamento básico da técnica, depois que formou a equipe de terapeutas do Brancaleone (João, Rui, Goia e Ivone; de 1991 a 1995) por várias vezes tentou se afastar da prática da Soma, bem como da supervisão ao Brancaleone, mas sempre voltou a ativa. Talvez correspondendo a um autoconceito, de se comparar a uma bicicleta: precisa estar em movimento, se para cai...

 Como você conheceu a Soma e quando decidiu entrar?

  Conheci a Soma em 1990, em Curitiba. Já tinha ouvido relato de amigo que tinha feito workshop, bem como já tinha lido alguns livros do Freire. Mas ao fazer um workshop de abertura de grupo, resolvi fazer a terapia. Me tornei amigo do Freire logo ao conhecê-lo, e graças a seu incentivo começei a minha formação para Somaterapeuta ainda em 1990 antes do término do meu grupo. Mas nessa época Freire se separou de sua segunda geração de terapeutas formados por ele, e me afastei do terapeuta que fazia minha formação para ficar ao lado do Freire. Assim em 1991, recomeço intensivamente a minha formação para Somaterapeuta, para em 1993 completar minha formação.

 Quais foram os pontos divergentes, detalhadamente, que levaram a sua saída da Soma?

 Houveram três momentos:

 - No final de 2000, resolvi me afastar do Coletivo Brancaleone, mas não da Soma. Após anos de companheirismo e convivência (inclusive moradia) na década de 90, inclusive com uma unidade necessária para nos diferenciar dos outros terapeutas que faziam Soma, mas desistiram da pesquisa da capoeira angola proposta por Freire; chegamos ao final do milênio com diferenças pessoais de pesquisar a Soma sem o Freire (que se aposentou como somaterapeuta por volta de 97/98). Assim se estávamos formados e necessitando criar caminhos próprios, percebi que sozinho estaria melhor, me afastei do Brancaleone mas continuei com a supervisão de Freire no ano de 2001. Foram discordâncias pessoas que me afastaram de produzir junto a os outros três somaterapeutas.

 - No final de 2001, João da Mata lança sua pesquisa da capoeira com a Soma em forma de livro. Um livro que já conhecia e considerava muito fraco, além de discordar da forma do João ver o ambiente da capoeiragem. Freire cada dia com mais problemas de saúde, já não supervisionava nenhum núcleo/terapeuta, somente mantinha relações afetivas e contatos esporádicos. Assim, nesse contexto, resolvi mudar o nome da minha técnica. Principalmente para diferenciar da Soma praticada pelo Brancaleone e descrita no livro do João da Mata. Ao mesmo tempo, eu fazia Soma que considerava mais próxima da radicalidade do Freire que convivi, por isso optei, na virada do ano (2001/02) em chamar de Soma-Iê.

 - Completei minha independência do Freire e da Soma, ao nomear de SOMAIÊ meu trabalho. Ao invés de ficar conjecturando como seria a Soma se Freire estivesse bem de saúde e com seu habitual radicalismo percebo que ao estar só precisava atualizar os conceitos teóricos da Soma, além da capoeira e anarquismo. Assim, na SOMAIÊ construo o meu caminho e assumo meu trabalho como uma evolução da Soma.

 Em que ano isto aconteceu?

  Como descrevi na pergunta anterior, no final de 2000 saí do Brancaleone. Em 2002, chamo de Soma-Iê e 2003 renomeio para Somaiê.

 Qual a sua opinião sobre a vida e a obra de Roberto Freire?

 Considero Freire um gênio do seu tempo. Sua vida e obra se cruzam na Soma, técnica que considero extremamente original e uma legítima mistura de ciência e arte. Os doze anos que convivi com a pessoa Roberto Freire, me fizeram crescer e aprender muito sobre a vida. A sua obra, eu separo entre a científica (Soma) e artística (literatura, teatro, música, tv, cinema, etc), se a sua obra artística foi best-seller e alcançou a cultura oficial, foi a sua obra científica que alcançou fundo o meu projeto de vida. Primeiro ao me afastar da minha formação acadêmica (Arquitetura) e me mostrar a minha formação vital (Somaiê).

 O que te deixou mais chateado na sua trajetória na Soma?

 Foi perceber a acomodação do Freire em relação a aplicação da pedagogia libertária paralelamente a Soma. Ver como ele na aposentadoria da Soma, se comporta como foi Freud no final da vida, na visão de W. Reich. Um Freud canceroso que optou pela institucionalização da psicanálise frente a um Reich radical que criou outras técnicas. A Soma (do Freire pós 2000) se liga a uma psicologia acadêmica e possui um discursso em prol da capoeira angola e do anarquismo, mas que na prática serve somente a manutenção interna da técnica e pouco contribue com esses ambientes. Isto é a Soma é uma terapia somente. Ao mesmo tempo que tenho essa crítica, me satisfaço em ver que busco outras formas de interpretar e produzir a Soma que aprendi na década de 1990. Assim a Somaiê busca uma maior contribuição no anarquismo (Te&So) e na capoeira angola (F.A.C.A.) e além de terapia é uma produção cultural.

 O Brasil é um país que pouco lê. As diferenças de formação não impedem a participação popular na terapia da Soma?

 Acredito que indiretamente haja essa influência da leitura e formação cultural nos participantes da Soma/Somaiê, mas principalmente são dois outros fatores que influenciam a técnica se popularizar ainda mais:

-         o custo financeiro da técnica

-         a quantidade de somaterapeutas formados 

Pois, para participar da Soma/Somaiê não é necessário nenhum conhecimento prévio, mesmo um analfabeto pode participar. O que fica elitista é seu custo e seu alcance.

 Explique como surgiu a idéia de fazer o manifesto "Morto Roberto Freire, Viva Roberto Freire"? 

 Ao idealizar o Coletivo Brancaleone, Freire nos ensinou a criar manifestos para sintetizar nossas ações e pensamentos, para depois comunicá-los a sociedade. A cada etapa da Soma, fizemos manifestos retratando os momento que vivíamos. Ao me separar de Freire e discordar das ações daquele que foi meu mentor na vida e profissão, tinha de marcar de uma forma clara as diferenças que percebia naquele momento. Assim, neste manifesto procurei mostrar que continuava ‘Freireano’, mas o Freire de 1990 a 2001. Pois o Freire de 2001 em diante estava morto e insepulto. Não vi nem me comuniquei mais com Freire depois de 2002.

 O anarquismo praticado pela Soma é uma prática política ou um estado de espírito?

 Na teoria da Soma, o ‘estado de espírito’ anarquista é em si uma prática política. Assim enquanto visão de mundo unicista, propomos uma fusão das práticas políticas tradicionais (militâncias sociais) com o ‘estado de espírito’ tesudo do indivíduo que compôe qualquer militância social. Mas na prática dos Somaterapeutas, isso ficou de uma forma dogmatizada e num modelo vivido pela experiência de vida do Freire.

Na Somaiê, seguimos a biologia do amor de Humberto Maturana  ‘tudo é dito por um observador’. Assim na teoria buscamos uma maior integração com  movimentos contraculturais mesmo que esses não se considerem ‘anarquistas’ e na prática estamos buscando uma maior inserção social, seja popularizando financeiramente a técnica (projeto custo mínimo lançado em 2004 e entrando numa segunda fase este ano), seja fazendo uma releitura das práticas políticas num viés do amor, ou seja, da aceitação do outro na convivência e não em dogmas libertários de outras épocas. Isso é, para a Somaiê se tornar uma releitura da Soma, fizemos uma releitura do anarquismo da Soma.

 

 

Obrigado.

 A seu dispôr...

 

Maurício Reimberg - Revista Cult - (11) 3385-3385 r:123

 Rui Takeguma, produtor de Somaiê, professor de capoeira angola (IÊ-SP) e fotógrafo.

www.soma.pagina.de  -  www.ie.angola.pagina.de  -  Http://umafotopordia.vila.bol.com.br

Contatos:  (11) 9459-4912 e somaterapia@gmail.com

 


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